A segunda parte difere da primeira como o céu da terra. Se o Assassin's Creed original lembrava uma enciclopedia interactiva com "aqueles templarios, num ano qualquer foram não sei para onde", então a continuação é um autêntico "Código da Vinci" com as suas intrigas, enigmas e investigações. Nos momentos em que o protagonista, Desmond, comunica com os cientistas, "trata" dos guarda-costas e tenta chegar à misteriosa Verdade - apetece encostar-se na cadeira e ver a acção no ecrã como um filme.
Tudo muda quando Desmond é enviado para o passado. Na lista de visita estão Florença e Veneza, conhecer Leonardo da Vinci e a família Medici, penetrar dentro da santa das santas igrejas católicas (trata-se da Capela Sistina) e descobrir alguns mistérios sobre a criação do mundo. Isso tudo vai ser visitado via capacidades do assassino Ezio, que se vinga da traição da sua família, que procura os culpados da traição, que destruiu as vidas de centenas senão milhares de pessoas.
Contudo, no início do jogo ele não é nada parecido com a máquina de morte, mas mais como apenas um rapaz frívolo que deseja vingar a morte dos seus entes. Matar para ele não é uma coisa de outro mundo. Não tem remorsos nem sentimentos morais. Mas com cada missão nova, com cada corpo novo algo muda na alma dele. Enviar uma passoa para o céu se torna mais dificil. Até os vilões mais sacanas ele coloca gentilmente no chão liberando seus pecados, perdonando-os sem julgar. Até porque o julgamento emitiu lhes a sentença de morte. E os juizes eram os próprios. Ezio é apenas um executor. E essa batalha entre bom e mau, que se passa dentro da personagem, foi tão brilhante demonstrada no jogo que merece um Oscar. Com isso até aparece o desejo de passar o jogo todo em vez de estar à procura de falhas como foi com a primeira parte que, tecnicamente, foi ideal mas, ao mesmo tempo, maçante e chata.
Bem a falar da representação gráfica que, por acaso é mais fraca que no original. O importante aqui é lutas, dinamismo, velocidade. O mundo desenhado pelos autores tornou-se mais real e verdadeiro. Aqui acidentalmente empurraram um guarda. Ele começa a chatear-se com indicador por cima da sua cabeça a ficar amarelo. Temos três escolhas: matar o gajo e, assim atrair atenção, tentar escapar e juntar, garantidamente, a sua cara na lista de procurados ou... semplesmente esperar. O guarda chega ao pé de si, com um palesta curta, dá-vos uns empurrões e, a seguir, vai à vida dele. Portanto ninguém vos vai tentar atacar e matar. Se não são uma pessoa procurada (dá para ver no indicador no canto superior esquerdo do ecrã) então ninguém se vai meter consigo. Prontos tá um gajo a correr na rua, ele que corra... Outra coisa é chocar contra um transportador de caixas de vinho. Começa ja a confusão, gritos que de certeza vão atrair os guardas mais próximos.
Mas mesmo se estiverem na lista de procurados, a situação pode ser corrigida. Por exemplo, basta andar pela cidade à procura de "posters" e tirá-los. Ou então, subornar os porta-vozes nas praças que por 500 moedas vão parar de sujar o vosso nome e vão se virar para os discursos mais importantes como rios sujos, pagamentos dos impostos e execuções publicas. Se não quizerem desperdiçar o vosso dinheiro então basta secretamente assassinar um dos funcionários responsáveis pela sua procura, estes andam pela cidade então marcados no vosso mapa.
Se não querem atrair a atenção dos guardas - aprendam a misturar-se com a multidão. Aqui está um monte de pessoas a discutir sobre a última lei. Basta chegar ao pé deles para os guardas não pagarem nenhuma atenção. Ou então seguir um grupo de padres e calmamente chegar até ao destindo desejável. O local está cheio de guarda-costas com 5 gajos em cada poste, enquanto nós chegamos ao pé dum sacerdote e matamo-lo.
Bem, na verdade existe também outra solução - telhados. Ao correr sobre eles, eliminando quaisquer patrulhas-arqueiros, podemos chegar a qualque parte da cidade e penetrar, despercebido, dentro dum pátio do edificio em que vive um dos seus inimigos. Esses no jogo não são poucos. O nosso heroi terá de enfrentá-los cara-a-cara para descobrir todos os segredos dos templários. Uns terão de ser seguidos, outros terão de ser assassinados sem alertar os seguranças. Uma parte de missões foi feita como trabalhos de assalto com apoios de ladrões e assaltantes. Outra parte apresenta-nos o uso de vários truques: matamos um guarda - atraimos a atenção ao corpo. Enquanto os outros ficam à volta dele e chegam à conclusão que o assassino está por perto, penetramos no território onde está a nossa meta. Tambem os seguranças podem ser distraidos por um grupo de assaltantes, ageis ladrões ou prostitutas, em troca de umas moedas claro.
Na segunda parte, os desenvolvedores prestaram muita atenção à parte social. Realmente, imaginem uma cidade qualquer da época de Renascença em que não existem ladrões, prostitutas ou bandidos. Vou já responder: não havia nenhuma dessas. No jogo esses tipos de população epresentam uma grande ajuda cujas acções representam muito valor para o sucesso das missões. Principalmente com a sua ajuda podemos desviar atenção dos guardas para podermos aceder às áreas privadas, ou então ter uma assistência nas lutas contra grupos muitas vezes bem armados.
Para além disso, Ezio tem um amigo muito importante que constantemente nos vai assistir com vários tipos de armas. Estou a falar do próprio Leonardo da Vinci, que nos é apresentado como um homem com trinta e poucos, olhos brilhantes de um jovem e uma mente muito inquisitiva. É ele o próprio que vai realizar a famosa máquina voadora que nos vai permitir sentir a alegria de voar. Pena que apenas podemos realizar o voo uma vez por jogo e apenas numa rota predefinida, mas acreditem, que emoções durante o voo não nos vai faltar.
Além disse sobre as nossas mãos calha uma cidade pequena. Com um pouco de dinheiro investido em suas infrastruturas recebemos descontos nas lojas de ferreiro (repara armadura e vende armas), médico (cura a vida, vende medicamentos e veneno), alfaiate (vende acessórios para a roupa e pinta-a) e artista (vende famosas pinturas e mapas de tesouros espalhados pela cidade). Quanto mais dinheiro investimos na cidade mais juros recebemos das suas lojas. Desta maneira temos uma fonte constante de dinheiro que é preenchida cada 20 minutos. Por isso, durante o jogo, dinheiro não nos vai faltar.
Nada do que disse acima importa se o jogo não tiver um bom sistema de lutas. Em comparação com o original as lutas tornaram-se muitos mais ricas e volumosas. Sim, claro se quisemos, podemos sobreviver o jogo todo apenas com contrataques e fugas. Mas com um arsenal tão rico é quase um desperdicio não usar as possibilidades que possuimos: bombas de fumo, facas, pistola, lugares para se esconder, até as lâminas assassinas duplas que permitem mata dois homens de uma vez. Tudo isso e muito mais quase que pede para ser usado na maioria das situações. Mas mesmo se optar pela táctica de luta normal também nao ficamos aborrecidos. Emobra muitos combos de execução de contrataque permaneceram os mesmos, temos outras possibilidades de travar as lutas. Podemos esquivar-nos dos ataques em várias direcções ou então desarmar o oponete e ficar com a sua arma, sem a qual o oponente fica literalmente indefeso. Em total o sistema de combate no
Assassin's Creed 2 ficou mais rico e dificil. O mesmo não se pode dizer das acrobacias, que é executada praticamente com um par de botões. Temos um caminho: postes, algumas vigas e paredes. Com um botão pressionado, Ezio demonstra proezas espectaculares. Claro, é bonito mas com o tempo passa a ser chato.
Em conclusão, a segunda parte ligou-os directamente à uma terceira, que, pela ideia, deverá acabar com a série. E sabem, deu-me a impressão que se a terceira parte realmente vai decorrer no presente, os autores vão conseguir captar a nossa atenção até aos créditos do jogo. Claro que quando temos Veneza e Florença à nossa volta - é mais fácil criar o atmosfera necessário. Mas acreditem que é possível criar algo interessante a partir da selva de Nova Iorque ou então até podem virar para a Itália de hoje, se as coisas derem para o torto.
Gráficos -
8.5--- Bom mas nada de outro mundo. Dou parabens aos autores pela criação simplesmente espectacular de arquitecturas, mas não pela criação de personagens do jogo. Texturas de baixa resolução em algumas partes ou então equipamentos "desenhados" deixam uma fraca impressão na imagem geral.
Jogabilidade -
9.0--- Permaneceu da parte anterior com algumas alterações no combate que foram para o bom lado.
Som -
8.5--- As vozes das personagens impressionaram-me. A credibilidade dos diálogos, com algumas misturas entre o inglês e o italiano foram um bom aperitivo. A única parte de que não gostei foi a falta do acompanhamento musical principalmente no modo de exploração. O jogo tem várias cidades, então cada cidade tem apenas uma música dedicada. Com as horas que passamos a explorar cantos, subir as torres ou entao procurar os coleccionáveis o jogo bem podia apresentar algo mais variável.
Historia -
8.0--- Fiquei com vontade de saber o que vai acontecer a seguir.

Embora o jogo segue o caminho um pouco cliché de vingança a maneira de como essa foi execuada e o facto de estamos ao mesmo tempo perseguir atrás dum artefacto histórico não foram de qualquer maneira exaustivos ou chatos.
Design -
8.0--- Estava um pouco ferrugento por isso demorei uns 20 minutos a adaptar-me a aquele esquema esquisito de controlos. Uma tecla para a cabeça, uma tecla para a mão armada, uma para a mão desarmada, uma para os pés.

Mais valia, uma tecla para interagir, uma para atacar, uma para agarrar ou largar e uma para correr. Não percebo porque foi tanta confusão para os controlos. Mas quando se percebe não há nada mais fácil.
Sobre o jogo em si. Os cenários do ponto de vista arquitecto são empolgantes com um nível de detalhe minusculo. Jogos assim são obrigados a sair até porque em vez de tiros e mortes e sangue do dia-a-dia é nos apresentada a possibilidade de apreciar a verdadeira arte dentro do jogo. Isso infelizmente é raro hoje em dia.
NOTA FINAL ->>>
8.5